Saem da terra enlameados, enrugados, andrajosos a cheirar a século passado com as ideias esboroadas a pender famélicas das bocas que são um buraco. Dizem coisas e entre o cair de mais um dente ou mesmo de um braço, erguem o outro braço com um dedo espetado (já só têm um e não conseguem fazer sequer o “V” da vitória) e lançam frases para abocanhar a atenção dos Choraquelogobebences. “Vim sem outra ambição que não – estimular o optimismo”; “Comigo a estabilidade será uma prioridade”; “É importante recuperar a esperança”; “Temos que construir o futuro dos nossos filhos e dos nosso netos”. E assim continuam entre o entusiasmo morto e o suspiro decrépito os Mortos-vivos a sacudir o pó da memória.
Os Choraquelogobebences embevecidos tiram dos bolsos os lenços e agitam no ar como bandeirinhas a agradecer o valor do regresso e só não gritam vivas porque os candidatos estão Morto-vivos.