As coisas têm uma ordem. A natureza tem regras. Andamos com cabeça para cima porque os pés dão mais jeito para caminhar. As orelhas estão de lado porque os olhos ficam de frente e são de maior utilidade para guiar os passos havendo luz. As mão são aos pares para que uma possa coçar a outra que segura balde, ancinho ou simples mala. As árvores crescem para cima porque a luz está lá e as raízes estão no chão porque a terra as suporta e alimenta.
A ordem tem destas coisas, não se semeia cenoura em gaiola de coelhos, nem se deixa o milho a secar em campo de galinhas. As coisas têm uma ordem. Nem figo em árvore de pardal, nem porta aberta para prender ovelhas no curral. A natureza tem regras.
Um prado é um prado. Um prado com ovelhas é um sítio que necessita estar cercado, fechado, para as bichas não fugirem lanosas atrás de qualquer méeee histérico. Um prado com ovelhas tem que estar fechado por causa dos lobos, senão é um come-depressa dos lupídeos.
Da mesma forma as estradas têm que ser elas próprias poupadas às inconstâncias do tráfego, seja ovelha solitária, ovelha em rebanho, pessoa a pé, pessoa de carro-de-mão ou pássaro que voa distraído. Quando se chega ao pé ou asa de uma estrada pára-se, olha-se, escuta-se e só depois se atravessa ou aterra-se.
As coisas têm uma ordem. A ordem de que tudo o que é atravessado por uma estrada tem que respeitar os sinais, seja o bicho que for, terrestre, aéreo, sub-terrestre ou mesmo marinho. A natureza tem regras. Tem que se parar numa estrada. Principalmente se esta passar no meio de um curral de ovelhas que são bichos sempre irrequietos. Para cá e para lá a levantarem voo com asinhas de seda escondidas na lã.