O tempo andava aberto de sol e brisa a agitar as acácias. O chão húmido de nebelinas da serra. João Sem Medo e o filho caminhavam pela encosta entre as pedras, lado a lado de mão dada para apoiar do cansaço da manhã de aventura, de sobe e desce de falésias e escarpas, por entre as raízes das árvores a imaginar outras lonjuras e alturas que as aventuras se fazem desta imaginar que formiga é escorpião e abelha pteridactilus e que o quebrar de um galho a restolhar pela copa de uma árvore é o rugido de um leão.
Destas fantasias se fez a caminhada e a manhã com o filho como se cada coisa simples – um pauzinho, uma folha, uma faísca de sol por entre a copa da árvores fosse um livro aberto para parar e descobrir.
Na volta pararam para descansar ou simplesmente para olhar o caminho que deixaram para trás e neste silêncio natural, que é um silêncio de ventos e chilrear de pássaros e batidas de coração afogueado. Pararam junto à barragem a olhar o reflexo verde na água que se crispava.
Estava neste sossego dormente o nosso João quando o seu filho apertando a mão com mais força lhe disse – Tinhas razão quando disseste que quando eu fizesse 8 anos ia começar a gostar muito de fazer estas aventuras contigo.
Publicado por joão sem medo em abril 28, 2005 06:00 PM