O tempo não justifica tudo, mesmo que a inclemência dos dias que passam marquem no chão ou no céu o trilho do que acontece agora e depois e antes, numa ordem de acertos ou de desacertos, conforme a nossa compreensão.
O tempo marca do trilho, a agenda marca a hora, mas há na sua estrutura própria de acontecimento, algo que determina a sucessão de outros acontecimentos - os ciclos.
Sentado à porta do celeiro, com os olhos postos na terra escareficada, lisa de pó e pedaços de ervas secas, João Sem Medo, antecipa as chuvas, as torrentes de água a escorrerem pelos valados, pelos caminhos e a descer em direcção ao ribeiro - um ciclo de vida e de sucesso.
Tudo se passa numa sequência lógica de bem-muito bem-excelente ou pelo contrário mau-muito mau-catástrofe. Assim se passa tudo na vida em ciclos de sucesso ou insucesso. Chuva, ribeiro, terra fértil, semente e planta ou chuva, torrente, cheia, catástrofe e mágoa.
Tudo se passa, como se todas as coisas independentemente do tempo tivessem inscrito dentro de si - vai ser assim ou vai ser assado. E assim e assado fossem dois lados da mesma moeda, dois irmãos gêmeos que só foram para um lado ou para outro em função de uma voz anterior que determina a sua responsabilidade no ciclo - de sucesso, de insucesso.
Publicado por joão sem medo em setembro 23, 2004 02:17 PM