Doce tempo. Doce embalo de cama de rede debaixo da nogueira frondosa. Das tardes passadas esticado na manta a ouvir o som da ribeira, a molhar os pés na água fria, a fazer festas à cadela, a fazer uma festa à vida no seu esplendor de não fazer nada.
Andou nesta torpor mole João Sem Medo, a habituar mal o corpo e a cabeça. A dar a ambos descanso, numa irmandade de sossegos e sestas.
Assim andou, a visitar monumentos com a imaginação, a viajar para terras distantes em espírito, de olhos fechados, olhando breve a luz na fresta da copa da árvore e deixando que o desconforto de um raio mais atrevido fosse razão para fechar os olhos e adormecer outra vez.
Assim decorreram as férias de João Sem Medo, alheado dos males do mundo, fixado no sorriso do filho menino, enleado em sonhos e esperando acordar com um beijo da mulher e acabar a preguiça – “E se fossemos nadar no açude ao fim da tarde!?”. Iam.