Hoje João Sem Medo está cansado, prostrado de alegria genuína. Ontem jogou-se contra a equipa Bifedavazia. Foi uma partida longa muito longa, uma eternidade de lances para cá e para lá, de malhas a voar e belhos a cair. Tudo se discutiu ao minuto, ao segundo, de ansiedade que foi a primeira. O resultado é indizível, dois a dois, quatro a quatro, um a zero, num tempo, no segundo, no outro e por ai fora num tu-cá-tu-lá de gigantes.
Choraquelogobebes começou a perder, começou por baixo, mas em cima. Bifedavazia começou a acertar, mas temerosa recuou. O assalto de Choraquelogobebes não tardou e foi um domínio de heróis, de seres mágicos. O estádio transformou-se pela força da vontade num templo traiçoeiro onde só metade dos devotos iria ver um milagre. Não há razão que explique toda a energia de vozes em uníssono, do prazer do medo de não ganhar, do prazer concretizado de ganhar.
Neste choque físico e de afectos que ataca quem aplaude, quem vive por dentro, quem não lança a malha com as mãos, mas com os olhos e o coração e a pele, fica esgotado, enlevado, rouco de gritar pela festa, quebrado de pular em direcção ao céu – onde acontecem as coisas mágicas.
Também acontece magia quando um Senhor João não tem medo das palavras e conta as coisas de uma maneira tão emocionada, engraçada, interessante! Parece um romance!
Afixado por: Vi em junho 25, 2004 04:18 PM