junho 25, 2004

Filósofo do Chinquilho I

O Chinquilho pode não ser a mais alta expressão de inteligência do ser humano, mas é onde a estética se reúne com a moral cozinhada num compêndio de afectos. Onde a razão perde o sentido em função da força, do querer, da determinação. Os gestos tem que ser certos, os jogadores deuses e os deuses poderosos.

O chinquilho é só para pessoas simples, é para todos os humildes, os que não têm medo de sofrer por facto imediato - acertar ou não acertar. O chinquilho une as pessoas não porque seja compreensível, mas porque é sensível. Só não adere quem tem medo dos afectos, de ganhar e gritar bem alto, de perder e chorar sem razão.

No chinquilho as fronteiras entre acertar e falhar são tão finas, tão incertas que qualquer certeza vale um grito, um salto, um "somos os maiores" que mais nada dá, nem livro, nem piano, nem sinfonia, escultura, teatro, poesia. Nada tem a magia de um jogo de chinquilho. Está lá tudo o que é belo, está lá tudo o que interessa condensado num instante de horas, de começar e nunca mais acabar. Nada consegue juntar tantos quereres, unir todos. Até à vitória.

Publicado por joão sem medo em junho 25, 2004 12:37 PM
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