abril 03, 2004

Uma data privada

Como já se falou nestas aventuras, deixou sempre o nosso heroi, o privado longe dos olhares, mesmo discretos, deixou o particular discreto como se fosse um bem escasso.

Tudo certo, como se fosse possível a quem escrever, fazê-lo sem se revelar. Seja golpe maldoso, queda de ponte, confusão ou imbecilidade. O mal e o torpe são mais fáceis de partilhar e assim tem sido de forma clara até à data. A data é hoje. Um dia tão cheio de memórias boas que o nosso personagem corre o risco de se tornar menos secreto. De falar das coisas doces e serenas com aquela facilidade de quem luta contra imbecilidades e monstros mediocres. O que aqui se conta parecerá pequeno ou grande conforme os olhos e ouvidos e coração do leitor, que nestas coisas de sentimentos conta tanto o que assiste como o que é assistido. Hoje, antes de ir para a horta o nosso João deixou um bilhetinho em cima da cómoda, escrito num papel àspero de cor mas suave de feitio.

Meu Amor.
Não escrevo para saberes o que não precisas, porque sentes. Deixo-me aqui exposto para ti, como sempre foi feito pela simplicidade dos elementos da natureza.
Não deixo quadro ou aguarela porque hoje só me apetece partilhar cores impossíveis.
Nada de jóias ou arminhos ou flores cortadas a sangrar seiva.
Hoje vamos ser mais verdadeiros. Como ontem e antes e sempre. Comemore-se o tempo com a certeza, a vontade de um grande amor.
Teu
JSM

Publicado por joão sem medo em abril 3, 2004 09:00 AM
Comentários

A senhora do João é uma mulher de sorte: ter um marido que cultiva batatas, palavras e sentimentos tão bem é uma raridade e um privilégio.
As mulheres deste país - e do mundo - bem lhes dava jeito haver mais Joões destes por aí!

Afixado por: Vi em abril 7, 2004 12:53 AM