março 20, 2004

O Sonho comanda o desespero

Chega pela calada da noite. Vem subindo pelos dedos dos pés, numa espécie de formigueiro. O sonho. Depois sobe ou desliza dependendo da posição de dormir e chega finalmente ao coração sem passar pelo cérebro. O sonho provoca uma espécie de bebedeira fatal, uma ilusão de “tem que ser a qualquer custo”. Esmaga qualquer argumento simples. O Sonho é um tractor com muitas rodas e lagartas, uma espécie de todo-o-terreno da falta de senso. Mas é um sonho. Os sonhos são raros. Os sonhos são para cumprir. Assim se passa do estado de estar-simples-a-cores, para o estado de sonhador-lerdo-a-preto-e-branco.

O sonho é um argumento para justificar qualquer coisa. Saltar de pára-quedas e partir a coluna a seguir, comer gafanhotos e pensar que se é profeta no deserto e ficar com diarreia, pisar alguém que está ao nosso lado e achar que se está a matar um dragão-mau. O sonho tudo justifica. O sonho é que interessa. Forte. Em frente. A grande velocidade.

Nesta voracidade justificada pelo sonho fica para trás a realidade, agora num pesadelo.

Publicado por joão sem medo em março 20, 2004 12:30 PM