Hoje é dia de carpir a mágoa por todas as rosas enjeitadas de Choraquelogobebes. Hoje todos, mesmo, e principalmente, aqueles que mais esmagam, aqueles que tiram as pétalas, os que cortam as flores rente ao pé, os que submetem, os que castigam rosas por perderem tristes uma gota de orvalho. Esses todos vem à rua com os olhos rasos de tristeza falsa e compadecem-se com todas as vilanias que hoje, ontem e que amanhã farão sem piedade de calendário. Assim que o dia passar e as primeiras flores se atravessem no seu caminho e atrevam-se a dizer : “olá bom dia eu sou uma rosa.” Vão ser dilaceradas, torturadas ou ignoradas sem piedade, resultado da impiedade métrica do “dia que já não é”.
João Sem Medo não gosta de “dias”. Parecem uma espécie de manto de veludo forrado de arrame farpado no verso, uma espécie de capa para tapar as maldades, uma tinta espessa para encobrir os desconfortos de quem só faz bem por agenda.
Por esta razão e por outras que são tantas e tantas quanto os que sofrem, sejam caracóis esmagados na berma da estrada, sejam burros sobrecarregados pelos donos gananciosos, flores violadas, nenhum merece um dia que seja. Acabe-se hoje já com todas as maldades e em vez de “dia” faça-se eternidade. Pelo amor a todas as flores.
Caro João Sem Medo
Também eu não gosto de dias e gosto de eternidades
Dia da mulher ainda me escandaliza mais porque fico com pena do dia do homem (tenho pena deles coitados ..)
Depois as juntas de freguesia, as câmaras municipais e outros organismos estatatais a oferecerem flores ( por acaso podiam ser do campo que sempre ajudavam na limpeza e saía mais barato, mas não, são flores de estufa compradas na florista do lado, com etiqueta e tudo) pagas com o nosso dinheiro....
Bem haja João Sem Medo
Afixado por: lempicka em março 8, 2004 07:45 PMHoje é o meu dia, e por isso posso dizer o que quiser, não é?
Beijo as mãos que escreveram este texto. Com todo o respeito, mas beijo.