Choraquelogobebes por vezes quer ser uma terra normal. Um país como os outros. Organizado. Com iniciativa. Dinâmico. Com gente que se coloca em bicos de pés e diz. estou aqui. Mesmo que toda a gente já o soubesse e isso fosse irrelevante.
Nesta busca de normalidade, realizou-se em Choraquelogobebes uma reunião de empresários. Dito assim, até parece coisa séria. E é. Não porque não seja legítimo que gente garbosa e respeitada se junte para comer umas pataniscas, beber uns copos de vinho da adega do Justino e lançar à surdina duas ou três histórias maldosas de maridos encornados e visitas esconsas a casa da Bernardete, mas pelo facto de tal reunião se ter realizado com pompa e muitas circunstâncias.
Neste momento já o leitor está a pensar clicar e fugir deste cenário porque não lhe interessam as lides da finança, da gestão ou simplesmente das contas de multiplicar por um. Faz bem, se assim for por rebeldia. Mal, por desistência.
Continuando. Ia João para a sua horta passo ante passo, empurrando o carrinho de mão, quando foi ultrapassado por uma carroça de último modelo puxada por um macho reluzente. Grande máquina tens aí ó Zé Maria do talho. João mal teve tempo para ouvir a resposta. Vou ao congresso Zás mais uma chicotada nos costados do bicho e vrum para a frente é que é caminho. Passado um bocadinho, que nestas coisas de tempo é o que o leitor quiser, aparece o Benedito às costas do Raúl. O Benedito ia todo anafado no fatinho de alpaca justo e o Raul transpirado acelerava na curva com o cliente às costas. Nem bom dia, nem bons dias, vrum para a frente é que é caminho.
Ao que iam apressados tão importantes nomes de Choraquelogobebes?
Publicado por joão sem medo em fevereiro 13, 2004 12:30 PM