Há neste país uma espécie de nostalgia doentia do tipo “antigamente é que era bom” e de conformismo bacoco do género “os outros ainda estão pior”. Entalada nestas avaliações pobres de espírito surge outra não menos larvar – “amanhã logo se vê” – a hesitação.
Em Choraquelogobebes parece que nunca deixa de chover e quando começa a chover um pouco menos, toda a gente acha que o dilúvio de ontem era só uma chuva-molha-tolos e a chuva de hoje é uma chuva-a-cantaros. Nestes equívocos de gente anestesiada caminham os choraquelogobebences entre nada e coisa nenhuma que é a melhor forma de ter mais preocupações e não tomar nenhuma decisão.
O passado em Choraquelogobebes é glorioso, glorioso pesado e uma âncora de todas as coisas boas. Mas é um passado muito passado e não um passado de ontem que se possa tornar um futuro hoje. È uma espécie de teia de aranha antiga, que já não tem aranha, mas ainda mata moscas incautas. Neste caso mata a determinação e a ousadia de ousar.
A palavra atraso não liga com Choraquelogobebes, porque não vai a lado nenhum. A pacatez morna e a disponibilidade simpática do sorriso são a principal arma de arremesso dos que acham que assim é que está bem, e por serem a maioria estão mesmo bem. A redundância dos factos torna-os verdade, mesmo que sejam idiotas.
Choraquelogobebes tem expressão genética assente nestes irmãos medíocres – a saudade, o conformismo e a hesitação e como pai a falta de responsabilidade e mãe a ignorância. Uma mistura explosiva que justifica tudo ou quase tudo.
Vale ao nosso herói a gabardina que serve de atabafo para tanto humor aquoso e quando quer ser afirmativo é pegar ao jeito de “vou-me embora” e ir.
ah ah ah
a mãe ignorância
a gabardine e vou-me embora :-))))))
genial