O frio chega e com ele uma brisa de espadas. Quando se tenta sair da cama os lençóis parecem ter braços que agarram João, tentáculos que afirmam a cada momento – daqui não sais. E assim fica João Sem Medo, atrofiado entre a flanela dos panos e o querer que não é muito.
Hoje não é dia relevante na horta. Tudo se resume a semear uma ou duas cestas de batatas e esperar que a chuva venha para garantir o viço das plantas e evite a geada. A geada é uma espécie de inimigo invisível das noites frias sem chuva. Nestas alturas, a terra dorme, letárgica e espera-se que os primeiros dias longos e quentes acordem todas as sementes e quereres vegetais.
Esta conversa de elementos das estações serve só para entreter. È uma forma de ganhar tempo, de evitar a decisão final. Levantar e pronto.
Afinal os lençóis-polvos começam a perder força e a determinação aumenta. Está na hora.
Publicado por joão sem medo em janeiro 19, 2004 02:30 PM