janeiro 17, 2004

O valor do trabalho

Nada. Nada mesmo. Nem arte de poda. Nem técnica de embarrar pés de feijão. Nem exertia de pêra em marmeleiro. Nada tem este carácter quase obrigatório de trabalho continuado e sacrifício como a música para o nosso heroi, andado por tantas andanças. Caminhado por quase todos os caminhos. Pedras, xistos, urzes...todos os géneros de acidentes eram ultrapassados de uma penada.

A música não. Um Dó tem mais dificuldade que um abismo e uma colcheia exige mais tempo que uma breve, que por não o ser é mais longa e mentirosa. Fala-se deste trabalho, desta grande trabalheira, porque o nosso homem (quase sempre designado nesta narrativa por heroi, mas nestas coisas da música assumido como um homem simples), decidiu tarde no tempo descobrir o prazer de tocar, de passar os dedos pelas cordas e descobrir que sai som. Umas vezes ténue, outras bonito, outras ainda mais bonito e do conjunto de sons, mesmo pouco harmoniosos, faltos de tempo e escassos de ritmo suge a maravilha do compasso. Fazer. Fazer som. Fazer um depois de outro e outro e um conjunto de outros e dos mesmos e resultar o espanto. O espanto do resultado, de tanto trabalho que o pequeno resultado sai enorme.

Todo este espanto porque ouvia ao longe ou perto que para aqui não interessa e o longe dá mais valor para o encanto da descoberta, umas notas de Peer Gynt e João largou a mó onde afiava uma podoa e soltou nos ares um grito - isso é o que toco ou quase.

Publicado por joão sem medo em janeiro 17, 2004 01:14 PM
Comentários

gostava de inventar...palavras

inventos são...versos
poemas que eu e tu lês
todos nós os consumimos
poucos recordam quem os fez


linhas, curvas, rabiscos
uma descrição a acompanhar
três anos para uma patente
montes de dinheiro a gastar.


fernando nogueira gonçalves www.invento.web.pt

Afixado por: fernando nogueira gonçalves em fevereiro 2, 2004 10:44 PM