Nada. Nada mesmo. Nem arte de poda. Nem técnica de embarrar pés de feijão. Nem exertia de pêra em marmeleiro. Nada tem este carácter quase obrigatório de trabalho continuado e sacrifício como a música para o nosso heroi, andado por tantas andanças. Caminhado por quase todos os caminhos. Pedras, xistos, urzes...todos os géneros de acidentes eram ultrapassados de uma penada.
A música não. Um Dó tem mais dificuldade que um abismo e uma colcheia exige mais tempo que uma breve, que por não o ser é mais longa e mentirosa. Fala-se deste trabalho, desta grande trabalheira, porque o nosso homem (quase sempre designado nesta narrativa por heroi, mas nestas coisas da música assumido como um homem simples), decidiu tarde no tempo descobrir o prazer de tocar, de passar os dedos pelas cordas e descobrir que sai som. Umas vezes ténue, outras bonito, outras ainda mais bonito e do conjunto de sons, mesmo pouco harmoniosos, faltos de tempo e escassos de ritmo suge a maravilha do compasso. Fazer. Fazer som. Fazer um depois de outro e outro e um conjunto de outros e dos mesmos e resultar o espanto. O espanto do resultado, de tanto trabalho que o pequeno resultado sai enorme.
Todo este espanto porque ouvia ao longe ou perto que para aqui não interessa e o longe dá mais valor para o encanto da descoberta, umas notas de Peer Gynt e João largou a mó onde afiava uma podoa e soltou nos ares um grito - isso é o que toco ou quase.
Publicado por joão sem medo em janeiro 17, 2004 01:14 PMgostava de inventar...palavras
inventos são...versos
poemas que eu e tu lês
todos nós os consumimos
poucos recordam quem os fez
linhas, curvas, rabiscos
uma descrição a acompanhar
três anos para uma patente
montes de dinheiro a gastar.
fernando nogueira gonçalves www.invento.web.pt