Assim começava mais um dia. João erguia-se num só movimento e já estava pronto. João preparava-se para a ida. E ia. era bom começar assim o dia. Determinado, sem aquela hesitação de vou-não-vou, acordo-não-acordo.
Depois destes preparativos instantâneos, João ia ver o tempo. Era sempre a primeira preocupação. Se chovia, se o sol escaldava, se ambas as coisas adivinhadas numa nuvem que surgia ou num raio de sol que despontava sobre a serra. O tempo era muito importante para a horta e para a felicidade.
Assume o nosso herói essa fragilidade das estações, essa dependência de humores do calendário. Chuva ou sol não eram a mesma coisa. E a essa verdade de pedra, soma-se o facto de chuva significar oleado e capa e galochas e todas as coisas práticas para proteger das águas, mas que tolhem os movimentos. Mas dizia que do verão, ficam as roupas frescas e leves e libertas. Essa liberdade causava uma sensação boa de pele livre. As tardes quente são companheiras da sesta.
Hoje chove uma chuva manhosa. Que saudades de uma sesta. Nestes pensamentos e com capa, e chapéu de oleado e galochas saiu o nosso João para a horta.