janeiro 08, 2004

Não mandem tirar os sinais

Havia grande confusão em Choraquelogobebes. Andavam todos em desconformidade. A esquerda ficava à direita, a direita ficava à extrema. O cimo era em baixo e o baixo estava alto. As crianças atravessavam fora das passadeiras. Os carros andavam pelos passeios. As marés ficaram alteradas, subiam três e mesmo quatro vezes ao dia. A neve derretia e o sol desapoiado, não sabia onde nascer, se nas montanhas se no mar, qual peixe-voador celeste. As flores desabrocharam no Inverno.

Nesta confusão de ser e não-ser, nesta incongrência de sentidos, João Sem Medo temia pelos elementos. Que a terra mudasse o sentido de rodar, que as músicas começassem a tocar ao contrário. Que todas as coisas começassem a ser conhecidas pelo que não eram. As que foram deixassem de ser e as outras culpadas deste desvario. Cada vez parecia mais importante que ninguém pudesse mandar tirar os sinais. Afinal ainda são a única forma de conservar o passado seguro, o sentido certo das estradas, o navegar em porto seguro, o fazer certo de cada um, as estrelas no céu, o bilhete de identidade da pele.

Publicado por joão sem medo em janeiro 8, 2004 01:28 PM
Comentários

olha, nao sei ha qto tempo vc escreve sobre as aventuras do JSM, mas enfim, eu acho uma pena nao ter nenhum comentario no seu blog.
li umas 4 e achei MUITO BOM MESMO. gosto desse tipo de coisa, meio independente. mas ta mto bem narrado e escrito.
parabens, se quiser se comunicar mande um email pra mim.
ze_a4@hotmail.com

Afixado por: José em janeiro 10, 2004 02:45 AM