Todo o ano. Cada minuto, hora, segundo, que a ordem não interessa, mas o que acontece em cada instante sim, Choraquelogobebes andava triste, abatida, com a auto-estima em baixo, a auto-estima é uma espécie de apêndice cerebral, que os Choraquelogobebences têm implantado entre os hemisférios cerebrais, andavam todos, nesses instantes somados, que por serem partições do mesmo tempo, são um só - tristes.
Desta forma se contam os abatimentos e melancolias dos Choraquelogobebences, constatação já feita em anteriores narrativas e por tal sem novidade para o leitor. Esta repetição de choros e fungadelas, tem para aqui sentido porque o ano se finda.
Nesta altura específica do calendário os Choraquelogobebences começam a animar e a rejubilar internamente, começam a deixar os klinexes e os renovas e os paninhos onde se assoam as mágoas contínuas e numa espécie de metamorfose colectiva partilham o frémito interno para a festa e para os balanços. Começam uns a rir desbragadamente e outros a pular e outros ainda as duas coisas em simultâneo ou alternadamente que é quase a mesma coisa.
Outros ainda, começam a fazer balanços e balancetes de tudo o que aconteceu no ano anterior. Estes factos, de relevância assumida, vão sendo escritos num quadro preto na praça principal de Choraquelogobebes e a população vai dando brados e urros e aplaudindo à medida que as notícias vão sendo implantadas no fundo preto com fonte 124 para toda a gente ver e outros lerem.
Dia 1 de Janeiro - Aumentos do preço do pão, àgua, luz e rendas de casa e do passe social do passadiço. Aplauso, brados, festas e abraços.
Dia 3 de Fevereiro - Grave acidente na estrada de acesso à Parvolândia, 3 mortos e 5 feridos graves. Aplauso, brados, festas e abraços e uma garrafa de jeropiga aberta.
Dia 23 de Março - A Selecção de Chinquilho de Choraquelogobebes perdeu 3-0 com a congénere de Matatouros. Pulos, brados e mais um copo de Jeropiga.
Assim continuava o ano desfiado em acontecimentos, uns reais outros de verdade aproximada para alimentar o suspense e o delírio festivo. Desta forma em alguns instantes de alegria pela tristeza revista, os Choraquelogobebes festejavam o ano, esperavam que todos os acontecimentos fossem revistos, todas as garrafas de jeropiga abertas e depois de tanta festança...começava a contagem para o novo ano. Um, dois, três e pumba.
O monco começa a vir lento e depois mais rápido pelas fossas nasais a baixo. A lagrimita nostálgica escorria pela face. Os namorados assoavam-se mutuamente apaixonados. A multidão começava a sair da praça e naquele instante de quinze ou dezasseis minutos já todos tinham regressando a casa tristes e mais tristes, uns com dor de estômago pela jeropiga outros com dor nas costas de tanto pulo e outros ainda com câimbras no maxilar de tanto rir. O ano velho recomeçara.
-Onde se lê " quando a prosa dos acontecimentos revela-se" deve ler-se "quando a prosa dos acontecimentos se revela"... OuvisteS?!
Assim começara mais um dia na APA (Associação dos Professores Adormecidos). Sita na rua do bora lá pós trópicos, a APA pertencia à casta aragonês. Nesse manhã houvera um engano: os sócios da APA estavam trapalhando...