João Sem Medo pensa que o Natal, pelo facto de despertar sensibilidades, pode ser uma espécie de arma contra o conformismo. Uma altura em que os cobarde ficam mais despertos para os outros e ouvem os corações e as dores e as mágoas. Os que andam alheados ficam mais despertos. Por isso e por mais coisa nenhuma, esta pode ser uma data especial.
A família aparece vinda de uma floresta de neblina, do passado mais remoto e distante. Aparece e pode ser que um simples abraço, reforce a proximidade dos sangues simultâneos.
Sente nesta data o nosso herói a força de compreender. O ímpeto de aceitar os outros. Esse poderia ser o verdadeiro espírito. Das mãos dadas e acreditar. Acreditar que é possível uma espécie de amor pelo outro que sofre. Uma espécie de dedicação de braços abertos, de disponibilidades para aceitar. O espírito do Natal tipo B.
Assim fica o nosso herói prostrado entre um A e um B. Umas letras simples e sem ordem. Em que o bem e o mal são pintados com cores diferentes. Cores diferentes com confetis nas árvores de Natal, verdadeiras, pingadas de orvalho por esses campos fora. nos jardins das cidades. Onde antes dormiam vagabundos e agora pais felizes ajudam as crianças a dar as primeiras pedaladas naquela bicicleta-especial-de-corrida, na trotinete ou simplesmente a ler um livro de histórias ao quente da lareira.
Sortilégios de um Natal que podem ser muitos.