João viu ontem na televisão uma notícia que o deixou mais sossegado. Tinham capturado o "velho do saco". Agora ia ser mais difícil aos pais de Choraquelogobebes forçar as crianças a comer a sopa ou o arroz de berbigão com pastéis de bacalhau. Mesmo coisas simples como as tarefas da escola já não poderiam ser feitas sobre pressão ameaçadora de um qualquer velho nojento.
O Velho-do-Saco foi descoberto num buraco mal-cheiroso e lamaçento e rapidamente detido pelos resignados adultos da "Liga de Choraquelogobebes Anti-sopa". Assim se findou o acto, final e determinado . "Fine-se o Velho-do-Saco e os seus fantasmas".
João Sem Medo continuava a ver pela TV aquela espécie de prisão do velho amorfo e da análise da sua boca. Por certo para ver se encontravam algum bocado de carne de criança ou arma de submissão na toca de um dente - os Velhos-do-Saco guardam bombinhas nas tocas dos dentes para amedrontar as crianças com estrondos mal-cheirosos.
Depois daquela espécie de consulta dentária e da afirmação continuada das virtudes daquela detenção, João Sem Medo, começou a ficar inquieto. Aquele Velho-do-Saco era muito parecido com o Pai Natal. Um velhinho, simples e parado, com ar dócil e disposto a colaborar. Parecia demasiado bonzinho para ser o Velho-do-Saco. Será que os membros da L.C.Q.L.B.A.S não estariam enganados? E se fosse mesmo o Pai Natal? O que iria acontecer neste Natal? Já estava a imaginar as crianças todas de sapatinho vazio, a chorar ainda mais. As renas perdidas sem mestre condutor. As lamúrias seriam mais do que muitas.
Teria que esperar pelo dia 24 de Dezembro à noite para se confirmar a justeza da sentença.
É justo que se lhe diga que, como metaforas "benenosas", pouco me lembro de ver melhor!... Bravo!
Concerteza vou continuar a passar por cá!