A vida é assim. A vida podia não ser assim, se a tranquilidade, a bondade e a grandeza fossem melhor distribuidas. O nosso heroi estava com estes pensamentos e sentimentos porque se tinha cruzado com uma Besta-pentagonal. Neste momento já os leitores se interrogam das mestranças e poderios de tal animal (quase) irracional.
A Besta-pentagonal descende em linha directa da besta-quadrada e em linha indirecta dos Cunhados-nomeados, só que tem mais espinhos e lança mais gosma. Trata-se de um ser viperino, nojento, com muitos pêlos na língua e pele escamosa. Normalmente, vive no escuro, nos buracos lamacentos, nos sítios fedorentos, onde cheira a enxofre e nunca pernoita, dorme de dia com os olhos abertos. Trata-se de um ser perigoso, que não mata instantaneamente, mas deixa no sangue da vítimas uma bactéria que infecta e debilita, só depois das vítimas estarem fracas, são comidas, numa digestão ácida.
Foi este quadro de horrores que se atravessou ao nosso herói. Um cenário terrível cheio de ais e uis e picadas venenosas e tentáculos a puxarem para o fundo e espinhos eriçados e dores e horrores e...
Quem dera ouvir já. Trimmmmmmmmmmmmmmm. O despertador.
Que pudesse acordar João Sem Medo e ser tudo imaginação.