Que dor. Que ansiedade. Que desespero. O ministro não acreditava que fosse possível. A sua filhinha adorada e mais que tudo como todas as filhas, não poderia ficar de fora do curso mais desejado. Ela seria concerteza uma óptima costureira quando fosse grande. Sempre teve jeito para fazer roupinhas para as bonecas. Teria que ser costureira. Uma excelente costureira. Não podia correr riscos inúteis. Apressou-se a escrever ao seu grande amigo o ministro Recebe Cunhas. Numa carta farta de langonha de adjectivos salientou o alto interesse para Choraquelogobebes de ter no futuro ao seu dispôr tão nobre criatura nos seus quadros de costureiras. Usou expressões com: "doce menina", "fada de mãos", "olhar meigo", "muito viajada" e por ai fora (ou dentro, conforme a vontade de entrar no dito curso).
Rápido, o ministro colou o papel numa pata de pombo (que é um bicho honesto e fiél ao dono, diga-se isto para que o bicho não seja culpado do acto em futuras investigações) e ala para os ares que a função tinha que ser cumprida.
João Sem Medo foi-se deitar mais cedo depois de beber um chá de cidreira. Hoje tinha sido um dia cheio de trabalhos.